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27 discos do primeiro semestre de 2016

Do instrumental ao pop, 27 discos lançados até agora em 2016 mostram a diversidade da música nacional

texto Itamar Dantas

Discos lançados em 2016 mostram diversidade na produção musical nacional. Fotos: divulgação

O primeiro semestre de 2016 trouxe inúmeros lançamentos na música brasileira, para os mais variados gostos e ritmos. Entre as dezenas de discos lançados, o Álbum selecionou 27 obras representativas de diversas estéticas musicais e artísticas.

São 17 álbuns de canções e mais dez dedicados à música instrumental. A lista não se propõe a fazer uma qualificação, mas sim apresentar um recorte da produção nacional. Entre o pop, o hip-hop, o choro e o rock, a produção de discos segue espalhando ideias, música, poesia. Confira abaixo alguns dos lançamentos realizados em 2016. Sentiu falta de algum? Adicione nos comentários com o link para audição ou download. Espalhe a boa música.

Ana Paula da Silva – Raiz Forte [Soundcloud]
Comemorando 20 anos de carreira dedicada à música, a catarinense Ana Paula da Silva lança seu sexto álbum, Raiz Forte, depois de um hiato de cinco anos. As canções são, na maioria, de autoria da própria cantora. Somam-se às suas composições duas músicas de Chico Saraiva: uma com letra de Kiko Dinucci (“Coco”) e a outra em parceria com Juliana Holanda (“Dito e Feito”). “Casamiento de Negros”, de Violeta Parra, também integra o disco. Já “Senhora do Ouro” é uma parceria de Ana com o amigo Sergio Almeida.

Graveola – Camaleão Borboleta [YouTube]
Com produção de Chico Neves, o quinto álbum do grupo Graveola e o Lixo Polifônico apresenta a sonoridade múltipla da banda mineira, formada pelos músicos LG Lopes (guitarra e voz), Luiza Brina (voz, percussão e escaleta), José Luis Braga (voz, guitarra e cavaco), Bruno de Oliveira (baixo), Gabriel Bruce (bateria) e Ygor Rajão (trompete, escaleta e teclados). Com a participação de Samuel Rosa, o disco apresenta letras críticas, como a questão indígena em “Índio Maracanã” e a legalização das drogas em “Tempero Segredo”.

Iara Rennó – Arco e Flecha [site oficial]
Em Arco e Flecha, Iara Rennó apresenta álbuns complementares que mostram diferentes facetas da artista. Arco tem banda formada só por mulheres, com Mariá Portugal (bateria), Maria Beraldo Bastos (clarone) e Iara (guitarra, voz e produção musical), e letras baseadas em poemas eróticos do livro Língua Brasa Carne Flor, lançado por Iara em 2015. Já em Flecha, o time é de homens, com Curumin (bateria, teclado, mpc e produção musical), Maurício Badé (percussão), Lucas Martins (baixo e violão), Gustavo Cabelo (guitarra), Maurício Fleury (teclados), Daniel Gralha (trompete e flugelhorn) e Cuca Ferreira (sax barítono), focando-se nas tradições afro-brasileiras, com canções de Iara em parceria com Gustavo Galo, Paulo Leminski, Domenico Lancellotti e Bruno di Lullo.

Tião Duá  Radio Mandinga [Soundcloud]
No seu segundo álbum, o trio Tião Duá apresenta canções de diversas safras autorais do grupo, embaladas em um disco. Gravado entre as viagens do trio pela Holanda, pela Inglaterra e pelo Brasil, o álbum mostra a mesma espontaneidade com que o grupo se apresenta ao vivo, no Brasil e no mundo. As canções têm arranjos bem trabalhados em dois violões, baixo e percussão, além de letras que apresentam com vivacidade e ironia a visão de mundo dos compositores Luiz Gabriel Lopes, Gustavito e Juninho Ibituruna.

Bruno Batista – Bagaça [site oficial]
O quarto álbum do pernambucano Bruno Batista busca em suas referências caribenhas um disco mais solar, como o próprio artista o define. O disco conta com os músicos Felipe Roseno (percussão e percussão eletrônica) e Meno del Picchia (baixo), além do guitarrista Rovilson Pascoal, produtor do disco. Há a participação de músicos como Gustavo Ruiz e Guilherme Kastrup e de cordas com arranjo de João Carlos Araújo. Dandara (voz), Marcelo Jeneci (piano), Swami Jr. (violão de sete cordas) e Felipe Cordeiro (guitarra) são as participações especiais.

Céu – Tropix [YouTube]
Em Tropix, Céu expande a estética desenhada no seu último álbum, Caravana Sereia Bloom, percorrendo, desta vez, uma sonoridade mais eletrônica. Com produção do baterista Pupillo e do tecladista francês Hervé Salters, o disco conta com o baixista Lucas Martins e a guitarra de Pedro Sá. A maioria das músicas é de composição própria de Céu, como “Perfume do Invisível”, primeiro single que ganhou clipe e que ilustra bem a estética do disco. “Chico Buarque Song”, de Cadão Volpato (extraída de um álbum de 1989 da banda Fellini), e “A Nave Vai”, de Jorge du Peixe, completam a viagem autoral de Céu.

Romulo Fróes – Rei Vadio [Selo Sesc]
Romulo Fróes percorre a obra de Nelson Cavaquinho com arranjos que fogem ao tradicional, apresentando uma visão própria para o trabalho do sambista carioca. Para isso, chama os parceiros da cena paulistana na recriação da obra de Nelson, com as características do samba torto feito pelos músicos Rodrigo Campos, Kiko Dinucci, Thiago França e Marcelo Cabral. “Luz Negra” ganhou um arranjo ao estilo Moacir Santos, com uma introdução dissonante.

Ed Motta – Perpetual Gateways [Spotify]
Ed Motta apresenta um disco jazzístico gravado com grandes nomes desse ritmo norte-americano. O álbum, inteiramente autoral, é registrado ao lado de músicos como Cecil McBee (baixo), Charles Owens (saxofone), Curtis Taylor (trompete), Greg Phillinganes (clavinete), Hubert Laws (flauta), Marvin “Smitty” Smith (bateria), Patrice Rushen (piano, Rhodes e clavinete), Rickey Woodard (saxofone) e Tony Dumas (baixo).

Metá Metá – MM3 [site oficial]
O grupo Metá Metá lançou recentemente o seu terceiro álbum, MM3. Com a guitarra de Kiko Dinucci, o sax de Thiago França, a bateria de Sergio Machado, o baixo de Marcelo Cabral e a voz de Juçara Marçal, o disco presta homenagem a orixás e passa pelo hardcore, pelo afrobeat e pela improvisação. O álbum conta com a participação de Siba e Rodrigo Campos.

Rashid – A Coragem da Luz [Spotify]
Primeiro álbum oficial do rapper Rashid, A Coragem da Luz abre com uma reflexão do músico sobre sonhos e os caminhos da vida em “Cê Já Teve um Sonho?” e também fala da maioridade penal em temas como “Como Estamos?”. O disco conta com a participação de Alexandre Carlo, Orquestra Metropolitana, Godô, Izzy Gordon, Criolo, Mano Brown, Xênia França e Max de Castro.

Grazie Wirtti – Tunguele [Spotify]
O álbum de estreia da cantora e compositora Grazie Wirtti conta com a produção musical de Guto Wirtti e a participação especial de Milton Nascimento e Bebe Kramer. O disco passeia pela canção latino-americana de Violeta Parra (Chile), Eduardo Mateo e Jorge Drexler (Uruguai), Chabuca Granda (Peru), José Dames, Homero Manzi e Matias Arriazu (Argentina), além de Guto e da própria Grazie, que alinhavam o repertório com canções autorais, representando a porção brasileira de Tunguele.

Grupo Boreal [download no site O Jardim Elétrico]
O grupo – formado por Luiza Brina (violão, baixo, composição, arranjos e voz), Pedro Carneiro (violão, baixo, arranjos, composição e voz), Aline Gonçalves (flauta, clarinete, composição e arranjos) e Karina Neves (flauta, composição e arranjos) – apresenta em seu EP de estreia músicas que transbordam conceitos de erudito e popular, no que o grupo intitula “canções de câmara”.

Tatá Aeroplano – Step Psicodélico [site oficial]
Tatá Aeroplano apresenta seu flerte com a psicodelia no álbum Step Psicodélico. Dividindo vocais com Julia Valiengo, o músico apresenta canções de sua autoria e de parceiros como Luiz Gayotto, Flavio Boave, Peri Pane, Gustavo Galo e Juli Manzi. Na gravação, é acompanhado dos músicos Dustan Gallas, Junior Boca e Bruno Buarque e conta com a participação de Peri Pane, Ciça e Bárbara Eugênia.

Baiana System – Duas Cidades [YouTube]
Produzido por Daniel Ganjaman, o segundo álbum do Baiana System apresenta a música urbana do grupo apoiada na guitarra baiana de Roberto Barreto, sobre bases de reggae, música caribenha e latina, entre outros ritmos. SekoBass é responsável pelo baixo e pelas batidas eletrônicas, enquanto Russo Passapusso, compositor e cantor, destila letras que passam por temas como a especulação imobiliária, a rotina nas cidades e a injustiça social. A identidade visual do grupo é assinada por Felipe Cartaxo.

Rico Dalasam – Orgunga [YouTube]
Primeiro álbum de Dalasam, Orgunga traz oito faixas autorais e discute questões como preconceito, gênero e afirmação pessoal. Em entrevista ao Álbum, o cantor sintetiza: “Se o [EP] Modo Diverso teve a intenção de me apresentar às pessoas e gerar uma provocação sobre questões de aceitação, de como eu amo e tudo mais, Orgunga vem para continuar celebrando todas essas coisas. Acredito que o que aconteceu de mais precioso nesse tempo foi eu olhar para os lugares de vergonha – gerados sobre a minha natureza – e substituir por lugares de orgulho”.

CONFIRA A ENTREVISTA DE RICO DALASAM PARA O ÁLBUM ITAÚ CULTURAL

Bruno Cosentino – Babies [site oficial]
Em Babies, Bruno Cosentino apresenta canções de sua autoria e de amigos embaladas pela banda Exército de Bebês, formada pelos músicos Guilherme Lírio, Pedro Fonte, Iuri Brito e Thomás Jagoda. Com arte de Márcio Bulk sobre foto de Daryan Dornelles, o disco de Cosentino apresenta canções como “Homens Flores”, de Luís Capucho e Marcos Sacramento, e “Nunca Mais”, música inédita de Adriana Calcanhotto em parceria com Eucanaã Ferraz.

INSTRUMENTAIS

Mauro Senise – Amor até o Fim [Spotify]
Mauro Senise homenageia a obra de Gilberto Gil em um disco que apresenta 13 temas do compositor tropicalista. Para a homenagem, escolheu o repertório privilegiando temas das décadas de 1960, 1970 e 1980. Assim, estão lá “Procissão” e “Mancada”, do primeiro álbum de Gil. “Amor até o Fim”, que dá nome ao disco de Senise, foi registrada pela primeira vez por Elis Regina e Jair Rodrigues em Dois na Bossa, de 1966, e só gravada por Gil em 2006, em Samba Social Clube (2008).

João Donato – Donato Elétrico [Selo Sesc]
Em Donato Elétrico, realizado ao lado de músicos da banda Bixiga 70 e de outros expoentes da nova cena musical paulistana, João Donato apresenta as características de sua fase mais elétrica, representada por seu disco A Bad Donato, lançado em 1970, em faixas como “Resort”, “Espalhado”, “Urbano” e “Frequência de Onda”.

João Camarero – Solo [Spotify]
Violonista formado pelo Conservatório de Tatuí (SP) e pela Escola Portátil do Rio de Janeiro, João Camarero apresenta no seu álbum de estreia um repertório que passa por grandes nomes do violão brasileiro, como João Pernambuco e João Lyra, este um de seus mestres na cidade do Rio de Janeiro. “De João para Pernambuco”, de autoria de Lyra, abre o álbum, que passa ainda por uma composição própria, “Impressões sobre uma Despedida”, e de nomes como João dos Santos, Armando Neves e Julião Pinheiro. Em “Passeando”, Camarero é acompanhado pelo piano de Cristóvão Bastos.

Mestrinho e Nicolas Krassik – Mestrinho e Nicolas Krassik [Spotify]
O duo, formado pelo acordeonista Mestrinho e o violonista Nicolas Krassik, passeia por Jacob do Bandolim, Garoto, Dominguinhos, Sivuca, Chico Buarque e Baden Powell, além de músicas autorais dos instrumentistas. “Minha Alma” é uma composição de Mestrinho para um de seus mentores, Dominguinhos.

Trio Corrente – Volume 3 [Spotify]
O trio, formado por Fabio Torres (piano), Paulo Paulelli (baixo) e Edu Ribeiro (bateria), apresenta arranjos originais para clássicos de grandes nomes da música brasileira, como Dorival Caymmi, Pixinguinha, Chico Buarque e Tom Jobim.

Toninho Ferragutti – A Gata Café [Spotify]
O álbum traz Toninho Ferragutti acompanhado pelos músicos Vinícius Gomes (guitarra), Cássio Ferreira (sax alto e soprano), Cléber Almeida (bateria) e Thiago do Espírito Santo (baixo elétrico). O disco apresenta sete composições recentes e inéditas, como “Com a Búlgara Atrás da Orelha”, além de três já conhecidas do público: “Nem Sol, nem Lua”, “O Mancebo” e “Chapéu Palheta”.

Marco Pereira – Dois Destinos [Spotify]
No centenário do nascimento de Dilermando Reis (1916-1977), o violonista Marco Pereira oxigena a sua obra. Temas como “Xodó da Bahiana”, “Magoado” e “Dois Destinos” ganham novos arranjos sob a tutela do músico. A produção musical é do também violonista Swami Jr.

Antonio Adolfo – Tropical Infinito [Spotify]
O pianista brasileiro radicado nos Estados Unidos apresenta temas de sua autoria, como “Cascavel” e “Luar da Bahia”, em meio a clássicos de Benny Golson, Horace Silver e Oliver Nelson. O álbum conta com o piano de Antonio Adolfo, o trompete e o flugelhorn de Jessé Sadoc, o sax tenor e soprano de Marcelo Martins, o trombone de Serginho Trombone, a guitarra de Leo Amuedo, o contrabaixo de Jorge Helder, a bateria de Rafael Barata e a percussão de André Siqueira e Rafael Barata.

Höröyá – Höröyá [YouTube]
Focado na música africana, com influências da cultura mandinga e das tradições afro-brasileiras, o disco de estreia do grupo Höröyá apresenta o resultado do estudo de André Ricardo sobre os ritmos africanos e da interseção cultural entre Brasil e África, promovida por meio das viagens de pesquisa de André e da integração entre músicos brasileiros e africanos.

Heraldo do Monte – Heraldo do Monte [Spotify]
Unindo duas de suas paixões, a viola e o choro, Heraldo percorre choros clássicos, como “Lamentos” (Pixinguinha e Vinicius de Moraes) e “Doce de Coco” (Jacob do Bandolim). Além deles, o disco conta com quatro músicas do repertório do instrumentista: “Moreneide”, “Pra Lurdes”, “Doçura” e “Esperando a Feijoada”. Outros três temas foram compostos especialmente para o projeto. São eles: “Choro de Viola”, “Torto” e “Inteiriço”.

  1. Falso Coral: viola caipira como base pra rock alternativo/pop. O EP “Folia” saiu em Fevereiro e foi estreia exclusiva da Billboard Brasil. http://www.youtube.com/falsocoral

    | Ana Laura
  2. Tem 26 na lista?

    | Gyo
    • Olá, Gyo. Obrigado por comentar. São 27, levando em conta que a Iara Rennó lançou dois discos. Ass.: Itamar

      | album

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